Crônicas

‘Rebolemos’ mais!

Elizabeth Pinheiro
“Aos 34, Carla Peres exibe celulites durante o show do marido”: O burburinho salta de um das centenas de tablóides de pouca importância na vida do brasileiro. E o time feminino, pudera, dispara comentários nada afáveis contra a mulher. Já os homens, esses que se dividem entre o não gostar, e o não se importar com os tais buraquinhos do tecido celular feminino, se desapontam ao ver a sempre gostosa de um jeito não tão gostoso assim. O tanquinho já não é mais o mesmo. A bunda arriou.
“Com renda e decote ousado, Viviane Araújo exibe gordurinhas” – É o que se lê num desses folhetins de importância aqui já descrita. A moça, que estava de barriga de fora – pasmem- exibiu gorduras no evento onde foi, fazendo surgir até notícia. Sim, notícia.
Afinal de contas, a mulher “prafrentex” de hoje, embora lute contra o machismo dos homens de Q.I. inferior a um nabo, é a primeira a apontar o quão errada a tal Viviane está em exibir as tão assustadoras gorduras.
Mas por que, afinal, elas não têm mais a pele de pêssego das beldades de vinte? E o bumbum durinho, como as tão idolatradas redes de televisão exigem da mulher brasileira? Ora, porque são mulheres. São mães, filhas. São feitas de osso e de carnes, muitas carnes. Carnes essas que as fizeram estar onde estão, e também as banalizam. Carlinha, se assim permite que a graceie, é só um exemplo entre as 97,5 milhões de mulheres que habitam o Brasil. São milhões de Marias, Anas, Júlias, Das Dores e Franciscas que neste momento costuram, dão aulas, criam filhos, criam os próprios maridos, constróem ocas, lavam roupas, e usam salto 15. Todas
têm celulite, “exibem” gordurinhas, e diversos outros defeitos que as tornam gente de verdade.
“Vou levar preto, pareço mais magra para ele”. “Preciso de uma bunda assim”. “Quero”, “Preciso” “Vou ter”.
Não, mulher. Você não precisa de nada disso.
Assossegue o seu belo manequim 46 e veja com que maestria você estuda, trabalha, cria seus filhos, ou cuida de seus pais, e se enfeita bonita, apanha o cabelo, de um jeito que lhe faz feliz. Pode ser um lenço, um batom vermelho, ou uma dobra na barra do vestido.
Mas é o que lhe torna tão especial entre as outras. E os outros. Mas o que lhe torna ainda mais bela, é a força com que luta diariamente, e pode fazer tudo o que qualquer homem faz, em cima de um tênis All star, ou de um par de saltos altos.
Nem putas, nem santas. Se a profissão das moças é dançar nos palcos da TV com roupas curtas, merecem o mesmo respeito que as recatadas. Deveríamos nos respeitar entre nós, para sermos respeitadas pelos homens. Passa da hora de deixarmos a barriga e as coxas deformadas das tais moças em paz e, por que não, as nossas também.
Até eu, vezenquando, me pego pensando nas pernas-de-palito que insisto em disfarçar e que, no entanto, não fazem de mim pior ou melhor que ninguém. Só estão ali, sendo minhas, tão minhas que eu até deveria gostar. Mas deixemos de lado isso, afinal o mundo não melhoraria se elas se engrossassem, como eu sempre insisti em pensar.
Acreditem ou não, a perna de Carla continua com as tais gordurinhas, mas ela continua sendo incrível, sim, mesmo sem dar exemplos de inteligência, mas sendo quem ela é, e mostrando que sabe – por que não? – rebolar como ninguém.
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