Música

Um som da alma para os palcos

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Com apenas dois anos de estrada, a banda Soul Acústico carrega no nome traços da música cantada com a alma, mesclando ritmos dançantes e alegres no cenário musical maringaense

Elizabeth Pinheiro

 A descontração dos integrantes da “banda mais praiana da cidade”, como se intitulam, casa de forma harmônica com a proposta dos músicos. “Temos a intenção de fazer um som sincero, para cima e com um bom astral”, explica o vocalista Leandro Calixto, também gaiteiro. Fora da banda, trabalha com vendas, em Maringá.

Sentada com Leandro, Luiz Trevisan, do contra baixo, e André Bett, do violão, nossa entrevista se pareceu muitas vezes com um bate-papo entre velhos amigos, num bar boêmio das redondezas da Universidade Estadual de Maringá, em meio a risadas e boas histórias para contar dos integrantes, que têm em comum o gosto pela praia, o surf, e a velha amizade entre eles.

As influências do repertório de shows da Soul Acústico são muitas: desde as músicas praianas do reggae e surf music, ao bom e velho rock’n roll, com elementos do Rhythm and Blue, que juntos, embalam apresentações com clima alto astral e de boa música nacional.

O trio teve formação inicial com o uso apenas da voz, violão e um cajón – instrumento de percussão originário do Peru colonial – também conhecido como uma caixa de tomates, como brinca Leandro. “Desde o começo, queríamos fazer um som diferente, por isso a pegada do acústico em nosso nome. Não queríamos colocar bateria nem guitarra”. Mas o projeto do grupo foi reestruturado desde então. “Hoje a gente trabalha com músicos contratados para tocar junto conosco. Quando fazemos shows, tocamos junto com um baterista, percursionista e um tecladista, é a nossa base”, explica Luiz. Conforme o show, a formação de músicos contratados muda, sendo um diferencial da banda.

O velho cajón deu lugar a uma aparelhagem de percussão digna de filmes, com sons variados e utilizados para envolver o público em meio a mistura de ritmos. Tudo em um só instrumento, para agregar às apresentações animadas do trio.

O pouco tempo de experiência com o estilo musical de Soul Acústico não atrapalha o caminho de conquistas que a banda tem trilhado. Na cidade de Campo Mourão, já de início, abriram show para o americano Colby Lee Huston, cantor americano residente no Brasil desde 2007, e inspirado nas vertentes de Ben Harper e Jack Johnson – influência significativa para os músicos da banda.

“Esse fato acrescentou muito para nós. Acho que houve uma troca boa, para Huston também. Conversamos bastante após o show e fomos convidados a fazer um som em Florianópolis junto com ele. Mas cada um tem sua vida, não vivemos da música e não podemos sair do trabalho para isso. A realidade ainda não é essa”, aponta o vocalista.

A moda sertaneja prevalecente na cidade não atrapalha o sucesso da banda. “Maringá é uma cidade legal, os universitários da região saem bastante. Então esse público acaba conhecendo e curtindo nosso trabalho”, diz Bett.

O trio em essência

O contrabaixista Luiz Trevisan já toca há 14 anos em bandas, e trabalhou no ano de 2002 em uma das maiores bandas covers do Legião Urbana, com produtora do Rio de Janeiro. “Na época eu tinha 20 anos, mas não era músico do grupo, trabalhava na parte técnica. Com o tempo, fui tendo vontade de ter minha própria banda, até que consegui e acabei tendo várias outras bandas de rock.” Mas só depois de alguns anos, Luiz resolveu se dedicar mais à música. “Houve um período em que trabalhei como gerente de vendas em uma loja, e meu contrabaixo ficou parado embaixo da cama, durante seis anos. Aí conheci o Bett e o Leandro e decidimos montar a ‘Soul’ – nome inicial da banda em 2010.

Nas horas vagas, os integrantes têm também em comum o gosto pelos esportes radicais. “Tenho paixão pelo surf, mas não posso praticá-lo com a freqüência que gostaria, porque moro em uma cidade de interior”, conta André Bett. Já Luiz diz gostar de coisas “não muito convencionais” como o paraquedismo, mergulho, voos de asa delta e tudo quanto envolve doses cavalares de adrenalina. A irreverência marcante fica por conta de Calixto, apaixonado por longboard (tipo de skate de tamanho maior), que se diverte andando pela cidade com o quase inseparável skate. Ele brinca: “enquanto as pessoas estão presas no semáforo às 8h, com as caras fechadas, eu passo ‘remando’ com meu long, e isso é muito bacana”.

Calixto nunca teve influência de familiares e amigos para tocar em uma banda. Entretanto, diz ter nascido com a “música estampada na testa”, o que se percebe também claramente nos outros dois músicos. Segundo Bett, a melhor característica da banda é a de fazer um som sincero, sem pensar em retorno financeiro. “Definitivamente não é nosso foco. A gente faz porque gosta, e desce do palco com um sorrisão no rosto”. E finaliza: “Em cima do palco, o nosso único sustento é a alegria e a alma”.

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