Gastronomia

La Bistronomique : Gastronomia em arte e simplicidade

Nada de pompas nem preços colossais. A bistronomia, movimento gastrônomico originado da França, mescla traços da culinária clássica francesa, com a liberdade de criação e criatividade do chef de cozinha.

Elizabeth Pinheiro

Em 1992, o chef francês Yves Camdeborde criou o primeiro restaurante com este conceito. O bistrô La Regalade, localizado em Paris, transformou receitas de restaurantes sofisticados da cidade luz em pratos criativos e autorais, com um ingrediente que os diferenciava dos mais refinados: preços acessíveis.

É também do pioneiro o atual bistrô Lê Comptoir du Relais, famoso por sua comida exuberante a preços modestos, onde as reservas para uma mesa de jantar devem ser feitas com, pelo menos, seis meses de antecedência, tamanha é a apreciação por seus pratos com a vertente da Haute Cuisine e de preços justos.

Envolvente e intimista, a estrutura de um bistrô é traçada pela simplicidade e sutileza de decoração e disposição de mesas. Com um ambiente pequeno e aconchegante, possui poucas mesas e equipe ainda menor. Os pratos desse tipo de restaurante variam constantemente, no máximo a cada seis meses, por sua singularidade de criação, o que o diferencia dos restaurantes de linha tradicional.

Segundo o chef de cozinha Rozberg Formigoni, do Buffet Limani, de Maringá, o maior padrão que se percebe para a bistronomia hoje, no Brasil, é a valorização do regional: a mistura de traços da culinária local com a inspiração da cozinha francesa. O chef, que trabalhou antes em um bistrô na cidade de Richmond, nos Estados Unidos, aponta que a tendência é seguida em muitos países, onde pratos são criados com ingredientes típicos e se mesclam num toque autoral à tradicional linha francesa.

Sem “Menu”

Neste tipo de restaurante, não é comum o uso de cardápio. O prato do dia é apresentado ao cliente pelo próprio criador – o chef. A receita então é elaborada a partir do gosto de quem vai degustar e, portanto, se torna única. A qualidade do serviço de um bistrô é um fator tão importante quanto à peculiaridade de seus pratos. Por se tratar de um ambiente com número limitado de mesas, e mais aconchegante, os gostos de seus clientes são altamente prezados na elaboração das receitas.

Em São Paulo, quem impulsionou a tendência regionalista na bistronomia foi o chef Alex Atala, proprietário do bistrô D.O.M – considerado um dos sete melhores restaurantes do mundo pela conceituada revista britânica Restaurant Magazine. Atala foi um dos primeiros chefs a compor, em seus pratos de linha francesa, ingredientes como a tapioca, o feijão e a banana. Esta mistura confere texturas e sabores únicos, que conquistam paladares de críticos e gourmets1 de todo o mundo.

A composição de um prato regionalista na linha da bistronomia é basicamente criterizada de acordo com a sazonalidade dos produtos e da criatividade do chef. “O bistrô dá essa liberdade para o chef criar com elementos locais, misturar técnicas tradicionais e ingredientes regionais. Não há sofisticação, o chef vai às feiras, encontra bons produtos e os incrementa de acordo com sua livre criação e a mistura de elementos da cozinha francesa”, aponta o chef Rozberg Formigoni. Esta identidade também é fortemente apreciada em países como o Japão, a Itália e a Espanha e por isso, em São Paulo, já existem alguns restaurantes que reúnem as características da bistronomia, com inspirações italianas, por exemplo.

A vantagem de degustar tais criações é muito apreciada também por leigos no assunto. “Acho que esta tendência vem para eliminar o caráter elitista que as refeições de outros países podem ter. Com menores preços, isso pode se popularizar e abranger um público maior”, opina Alexandre Terumi, estudante de medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

O fator principal na elaboração dos pratos da bistronomia consiste no talento em aproveitar e utilizar os benefícios dos mais variados ingredientes a fim de que os pratos tenham o preço reduzido, mas que tenham qualidade. Longe de grandes e pesadas, as refeições servidas em um bistrô são como singelas obras de arte, em que toda tradição gastronômica está impressa, e unida à inventividade e livre criação do chef.

1. Pessoa a quem é atribuída a qualidade de paladar apurado e conhecimento avançado em gastronomia.

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Crônicas, Política

Palanque não é circo, não senhor

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Elizabeth Pinheiro

Oito candidatos disputam a prefeitura de Maringá. Entre vereadores, somam-se 366. Daí já se tem uma noção do barulho que toda essa gente causou na cidade. Pudera, com a quantidade deles, ligados aos mais diversos partidos, a disputa se tornou acirrada. Só neste sábado (6) e no domingo, data das eleições, serão disponibilizados pela prefeitura municipal 500 servidores para trabalharem na limpeza da “chuva de santinhos”, como denominou um jornal de grande importância da cidade. A tal chuva, que polui as ruas de Maringá com propagandas irregulares, acontece todos anos, e é considerada crime eleitoral. Não fosse o mutirão, as imediações das escolas eleitorais inundariam-se com tantos papéis.

O barulho é grande. As carreatas, então, essas sim se destacam ante toda a propaganda eleitoral. Ouve-se até falar em candidatos que planejam viabilizar as vias públicas do município, mas que andaram emperrando, por assim dizer, o nosso trânsito, que já não é dos melhores, com dezenas de carros que em alto e bom som buzinavam e andavam devagar rumo a irritação de quem passava por perto. Os carros estão ali com o intuito de divulgar o nome do candidato, mas será mesmo que o efeito é esse sobre os cidadãos? Tenho minhas dúvidas. Dia desses ouvi alguém dizendo:  “Nesse aí não voto. Imagine que passou em frente à minha casa , à essa hora da manhã, enchendo as minhas orelhas dessas buzinadas que não tinham fim?” Concordo com o cidadão.

Claro que, em tempos de necessidade de mudanças, nenhuma corneta e intempérie de santinhos é pior do que os candidatos que se metem a comediantes. Os que se preocupam mais com os adereços que o ridicularizam e nas rimas para os seus jingles, do que com as propostas que irão beneficiar, de fato, a população. Esses sim, não merecem que os levemos à sério. Eu explico: a política é a forma de governo de uma cidade, estado ou nação que carece de seriedade para se tratar de mudanças. O jeitinho brasileiro costuma dar muito jeito em levar nossas questões de uma forma “leve”, e para isso, muito se faz na brincadeira, mas a política não deve ser encarada assim, amigo leitor. Portanto, vamos votar de forma correta neste domingo, e não deixemos de nos conscientizar de que as roupas de palhaço podem ter lá sua graça, mas perto da lona dos circos, e não no comando do lugar onde moramos.

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Crônicas

‘Rebolemos’ mais!

Elizabeth Pinheiro
“Aos 34, Carla Peres exibe celulites durante o show do marido”: O burburinho salta de um das centenas de tablóides de pouca importância na vida do brasileiro. E o time feminino, pudera, dispara comentários nada afáveis contra a mulher. Já os homens, esses que se dividem entre o não gostar, e o não se importar com os tais buraquinhos do tecido celular feminino, se desapontam ao ver a sempre gostosa de um jeito não tão gostoso assim. O tanquinho já não é mais o mesmo. A bunda arriou.
“Com renda e decote ousado, Viviane Araújo exibe gordurinhas” – É o que se lê num desses folhetins de importância aqui já descrita. A moça, que estava de barriga de fora – pasmem- exibiu gorduras no evento onde foi, fazendo surgir até notícia. Sim, notícia.
Afinal de contas, a mulher “prafrentex” de hoje, embora lute contra o machismo dos homens de Q.I. inferior a um nabo, é a primeira a apontar o quão errada a tal Viviane está em exibir as tão assustadoras gorduras.
Mas por que, afinal, elas não têm mais a pele de pêssego das beldades de vinte? E o bumbum durinho, como as tão idolatradas redes de televisão exigem da mulher brasileira? Ora, porque são mulheres. São mães, filhas. São feitas de osso e de carnes, muitas carnes. Carnes essas que as fizeram estar onde estão, e também as banalizam. Carlinha, se assim permite que a graceie, é só um exemplo entre as 97,5 milhões de mulheres que habitam o Brasil. São milhões de Marias, Anas, Júlias, Das Dores e Franciscas que neste momento costuram, dão aulas, criam filhos, criam os próprios maridos, constróem ocas, lavam roupas, e usam salto 15. Todas
têm celulite, “exibem” gordurinhas, e diversos outros defeitos que as tornam gente de verdade.
“Vou levar preto, pareço mais magra para ele”. “Preciso de uma bunda assim”. “Quero”, “Preciso” “Vou ter”.
Não, mulher. Você não precisa de nada disso.
Assossegue o seu belo manequim 46 e veja com que maestria você estuda, trabalha, cria seus filhos, ou cuida de seus pais, e se enfeita bonita, apanha o cabelo, de um jeito que lhe faz feliz. Pode ser um lenço, um batom vermelho, ou uma dobra na barra do vestido.
Mas é o que lhe torna tão especial entre as outras. E os outros. Mas o que lhe torna ainda mais bela, é a força com que luta diariamente, e pode fazer tudo o que qualquer homem faz, em cima de um tênis All star, ou de um par de saltos altos.
Nem putas, nem santas. Se a profissão das moças é dançar nos palcos da TV com roupas curtas, merecem o mesmo respeito que as recatadas. Deveríamos nos respeitar entre nós, para sermos respeitadas pelos homens. Passa da hora de deixarmos a barriga e as coxas deformadas das tais moças em paz e, por que não, as nossas também.
Até eu, vezenquando, me pego pensando nas pernas-de-palito que insisto em disfarçar e que, no entanto, não fazem de mim pior ou melhor que ninguém. Só estão ali, sendo minhas, tão minhas que eu até deveria gostar. Mas deixemos de lado isso, afinal o mundo não melhoraria se elas se engrossassem, como eu sempre insisti em pensar.
Acreditem ou não, a perna de Carla continua com as tais gordurinhas, mas ela continua sendo incrível, sim, mesmo sem dar exemplos de inteligência, mas sendo quem ela é, e mostrando que sabe – por que não? – rebolar como ninguém.
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